1910 – grandes transformações no Brasil

A Era do Jazz

Por CLAUDIA GARCIA
Uma década de prosperidade e liberdade, animada pelo som das jazz-bands e pelo charme das melindrosas – mulheres modernas da época, que frequentavam os salões e traduziam em seu comportamento e modo de vestir o espírito da também chamada Era do Jazz.

A sociedade dos anos 20, além da ópera ou do teatro, também frequentava os cinematógrafos, que exibiam os filmes de Hollywood e seus astros, como Rodolfo Valentino e Douglas Fairbanks. As mulheres copiavam as roupas e os trejeitos das atrizes famosas, como Gloria Swanson e Mary Pickford.
A cantora e dançarina Josephine Baker também provocava alvoroço em suas apresentações, sempre em trajes ousados.

Livre dos espartilhos, usados até o final do século 19, a mulher começava a ter mais liberdade e já se permitia mostrar as pernas, o colo e usar maquilagem. A boca era carmim, pintada para parecer um arco de cupido ou um coração; os olhos eram bem marcados, as sobrancelhas tiradas e delineadas a lápis; a pele era branca, o que acentuava os tons escuros da maquilagem.

A silhueta dos anos 20 era tubular, com os vestidos mais curtos, leves e elegantes, geralmente em seda, deixando braços e costas à mostra, o que facilitava os movimentos frenéticos exigidos pelo Charleston – dança vigorosa, com movimentos para os lados a partir dos joelhos. As meias eram em tons de bege, sugerindo pernas nuas. O chapéu, até então acessório obrigatório, ficou restrito ao uso diurno. O modelo mais popular era o “cloche”, enterrado até os olhos, que só podia ser usado com os cabelos curtíssimos, a “la garçonne”, como era chamado.

A mulher sensual era aquela sem curvas, seios e quadris pequenos. A atenção estava toda voltada aos tornozelos.
Em 1927, Jacques Doucet (1853-1929), figurinista francês, subiu as saias ao ponto de mostrar as ligas rendadas das mulheres – um verdadeiro escândalo aos mais conservadores.

A década de 20 foi da estilista Coco Chanel, com seus cortes retos, capas, blazers, cardigãs, colares compridos, boinas e cabelos curtos. Durante toda a década Chanel lançou uma nova moda após a outra, sempre com muito sucesso.

Outro nome importante foi Jean Patou, estilista francês que se destacou na linha “sportswear”, criando coleções inteiras para a estrela do tênis Suzanne Lenglen, que as usava dentro e fora das quadras. Suas roupas de banho também revolucionaram a moda praia.
Patou também criava roupas para atrizes famosas.

Os anos 20, em estilo art-déco, começou trazendo a arte construtivista – preocupada com a funcionalidade, além de lançamentos literários inovadores, como “Ulisses”, de James Joyce. É o momento também de Scott Fitzgerald, o grande sucesso literário da época, com o seu “Contos da Era do Jazz”.

No Brasil, em 1922, a Semana de Arte Moderna, realizada por intelectuais, como Mário de Andrade e Tarsila do Amaral, levou ao Teatro Municipal de São Paulo artistas plásticos, arquitetos, escritores, compositores e intérpretes para mostrar seus trabalhos, os quais foram recebidos, ao mesmo tempo, debaixo de palmas e vaias. A Semana de Arte Moderna foi o grande acontecimento cultural do período, que lançou as bases para a busca de uma forma de expressão tipicamente brasileira, que começou a surgir nos anos 30.

Em 1925, pela primeira vez, os surrealistas mostraram seus trabalhos em Paris. Entre os artistas estavam Joan Miró e Pablo Picasso.

Foi a era das inovações tecnológicas, da eletricidade, da modernização das fábricas, do rádio e do início do cinema falado, que criaram, principalmente nos Estados Unidos, um clima de prosperidade sem precendentes, constituindo um dos pilares do chamado “american way of life” (o estilo de vida americano).

Toda a euforia dos “felizes anos 20” acabou no dia 29 de outubro de 1929, quando a Bolsa de Valores de Nova York registrou a maior baixa de sua história. De um dia para o outro, os investidores perderam tudo, afetando toda a economia dos Estados Unidos, e, consequentemente, o resto do mundo. Os anos seguintes ficaram conhecidos como a Grande Depressão, marcados por falências, desemprego e desespero.

Identidade Brasileira na Moda
Com a riqueza dos produtores de café, seus filhos puderam estudar na Europa, entrando em contato com as correntes modernistas em pleno fervor intelectual e artístico. Esses jovens foram influenciados a questionar a arte e os valores da época, apregoando um primeiro movimento nacionalista no país, que valorizava a cultura autóctone e refletia sobre o que seria uma identidade brasileira. O ápice desse movimento resultou na Semana de Arte Moderna realizada no ano de 1922, data em que o país comemorava o Centenário da Independência.

Em 1928, o escritor modernista Oswald de Andrade publicou o Manifesto Antropofágico, inspirado no quadro Abaporu (antropófago em indígena) da pintora Tarsila do Amaral , também modernista. Oswald apregoava no manifesto que era preciso devorar a estética européia e transformá-la numa arte brasileira. (Proença, 2001)

Apesar dos movimentos culturais em busca das raízes brasileiras, a moda segue o que dita a França, a despeito do clima e das diferenças de estação. Como exemplo temos a própria Tarcila do Amaral que casa usando um vestido do estilista francês Paul Poiret.

No âmbito da moda surge a melindrosa, criada pelo caricaturista J. Carlos. Símbolo da mulher brasileira da época, já indicava um rumo para a sensualidade, traço que figura entre os principais da moda brasileira atual.

Em 1927 foi realizado no Mappin Stores (loja direcionada para a elite paulistana que se destacava por vender basicamente mercadorias importadas) o primeiro desfile de moda numa loja da cidade, passando seus desfiles a ser reprisados duas vezes ao ano, uma no inverno e outra no verão. (Zuleika Alvim)

Em 1929 acontece o crash da bolsa de Nova York, o que ocasiona a quebra do império do café no Brasil. Entretanto, para a moda, o final dessa década reserva um acontecimento marcante: surge o primeiro nome da moda nacional – Mena Fiala, nascida em Petrópolis e criadora talentosa de vestidos de noiva, que se consolidou no Rio de Janeiro ao longo da década de 30.

Liberdade de Expressão no Brasil

Liberdade de expressão – Belém, Brasil

O Brasil presenciou a instalação de um marco constitucional pós-redemocratização de indubitável garantia das liberdades de expressão e de imprensa, o qual, adicionalmente, lançou as bases para a instalação de um sistema de comunicação social em consonância com os regimes internacionais mais avançados na matéria.

Entretanto, conta com uma legislação infraconstitucional – aquela que, de fato, estrutura as regras do jogo – que data de 1962 e, portanto, não responde aos desafios políticos e sociais postos pela Constituição Federal de 1988 e pela nova realidade social brasileira e, tampouco, atende à inquestionável revolução tecnológica pela qual passou e passa o setor.

A defasagem do marco regulatório resulta em uma série de consequências negativas para a efetiva garantia da liberdade de expressão e de imprensa. Entre elas, uma das mais importantes reside no fato de que, desde a promulgação da Constituição de 1988, o Estado brasileiro ainda não conseguiu estabelecer instâncias democráticas efetivas para a regulação da mídia, tal como um órgão regulador independente.

Esse cenário de garantia de liberdades, somado a lacunas importantes e persistentes, acabou por fomentar o surgimento e a consolidação, no país, de um importante movimento social, político e acadêmico, preocupado com um amplo leque de temas relacionados à mídia.

Tais organizações desenvolvem ações de monitoramento da mídia, de qualificação de redações, de fiscalização e discussão sobre políticas públicas de comunicação e de advocacy com o objetivo de produzir transformações na área.

A UNESCO no Brasil trabalha em parceria com o Ministério das Comunicações, a Conferência Nacional pelas Comunicações, a Intervozes, a Universidade de Brasília, a Universidade Federal do Rio de Janeiro na identificação dos atores que possam colaborar na disseminação dos indicadores de mídia e identificar os espaços de discussão sobre o tema ou até mesmo criar estes espaços.

Além disso, a UNESCO no Brasil irá disponibilizar em português a publicação “Media development indicators: a framework for assessing media development”.

Educação sem Violência no Brasil

© Palas Athena
Logo – Gandhi Week in Brazil

Mais do que teoria e prática, a não violência tem que ser uma atitude entre toda a prática de ensino, envolvendo todos os profissionais de educação e estudantes da escola, pais e comunidade em um desafio comum e compartilhado. Assim, a não violência integrada dá ao professor outra visão de seu trabalho pedagógico.

A escola tem que dar lugar ao diálogo e ao compartilhamento, se tornando um centro para a vida cívica na comunidade.

Para se obter um real impacto, a educação sem violência tem que ser um projeto de toda a escola, o qual deve ser planejado, integrado em todos os aspectos do currículo escolar, na pedagogia e nas atividades, envolvendo todos os professores e profissionais da escola, assim como toda a estrutura organizacional da equipe de tomadas de decisões educacionais.

As práticas de não violência devem ser coerentes e devem estar refletidas nas regras e na utilização das instalações da escola.

Vista pelo ângulo da não violência, a Educação é para:
Aprender sobre nossos direitos, responsabilidades e obrigações.
Aprender a viver juntos, respeitando nossas diferenças e similaridades.
Desenvolver o aprendizado baseado na cooperação, baseado no diálogo e na compreensão intercultural.
Ajudar as crianças a encontrar soluções não violentas para resolverem seus conflitos, experimentarem conflitos utilizando maneiras construtivas de mediação e estratégias de resolução.
Promover a valores e atitudes de não violência: autonomia, responsabilidade, cooperação, criatividade e solidariedade.
Capacitar estudantes a construírem juntos, com seus colegas, seus próprios ideais de paz.

A UNESCO sugere alguns sites e ideias para lidar com a solução de conflitos. Algumas sugestões incluem treinamento para professores e jovens estudantes. Por exemplo, em dezembro de 2008, o setor de Ciências Humanas e Sociais da UNESCO no Brasil, realizou o primeiro exercício de sistematização de experiências do programa Abrindo Espaços: educação e cultura para a paz – programa de inclusão social de abertura das escolas nos finais de semana, oferecendo a jovens e à comunidade atividades artísticas, esportivas e de lazer.

Além disso, publicou uma coleção de oito livros que, além das referências metodológicas e conceituais do programa, contêm também um guia passo a passo para a sua implantação e dois manuais para professores convidando a cultivar a paz em sala de aula e praticar a não violência por meio de jogos pedagógicos ou pelo uso de algumas atividades.

Violência escolar se combate com tolerância

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http://www.ultimosegundo.ig.com.br – 13.04.11

Para pesquisadores, violência escolar se combate com tolerância

Em vez de barreiras nas escolas, educadores defendem respeito e inclusão para diminuir episódios violentos

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo

A morte de 12 crianças na escola municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, colocou a segurança de estudantes entre os principais assuntos nacionais. Diante do choque, muitos defenderam barreiras que mantenham as crianças protegidas, mas pesquisadores de violência escolar vão no caminho contrário. Para eles, a prevenção se faz com fortalecimento das relações entre alunos, professores e, inclusive, com maior integração com a comunidade.

“Quando acontece uma tragédia, as pessoas pensam em soluções pontuais e não em combater as causas”, afirma o coordenador do Observatório de Violência nas Escolas da Universidade da Amazônia (Unama) em convênio com Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Reinaldo Nobre Pontes. “O motivo deste horror foi o mesmo dos pequenos horrores diários na maioria das escolas: a falta de tolerância”, diz.

Uma pesquisa realizada em escolas da região metropolitana de Belém, no Pará, mostra que 69% dos alunos já assistiram a agressões físicas e 41% psicológicas. “Em todos estes casos, há elementos em comum com grandes tragédias: vingança e ressentimento entre crianças ou adolescentes que não aceitam bem as diferenças. Aí é que temos de trabalhar”, afirma. Para ele, as escolas devem pedir e oferecer ajuda a outras instituições como universidades e o poder judiciário. “A escola não tem que se isolar, o problema é sério e deve ser visto por toda a sociedade.”

A pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), Caren Ruotti, lembra que as escolas brasileiras já são bastante fechadas, com muros altos, portões de ferro e divisão entre a área frequentada por visitantes e alunos – a unidade onde ocorreu o massacre em Realengo contava ainda com câmeras. “O país que mais investe em barreiras eletrônicas, os Estados Unidos, é o que mais convive com este tipo de tragédia. Não resolve. Em vez de fechar as portas, temos de evitar que as pessoas queiram se vingar daquele sistema, promovendo um ambiente acolhedor”, diz.

Inclusão exige mais do aluno

Para ela, a inclusão de todos na escola, que ocorreu a partir do final da década de 1980, tornou mais comum a intolerância. “Antes, mesmo na escola pública, a maioria das pessoas só estudava com pessoas parecidas com elas, o que tornava a aceitação do outro mais fácil”, lembra. “Hoje conseguimos incluir pobres e negros e fala-se mais abertamente das opções sexuais o que demanda uma capacidade de compreensão do diferente. Isso ainda não foi resolvido.”

Ela também desmitifica a ideia de que bullying é algo comum, que a maioria das pessoas sofreu na vida escolar. “Uma piada ou agressões isoladas, por pior que sejam, não caracterizam a perseguição contínua e a humilhação implícitas no conceito de bullying. Estamos falando de algo mais sério”, diz.

“ Em vez de fechar as portas, temos de evitar que as pessoas queiram se vingar daquele sistema”
A educadora Clélia Brandão, membro do Conselho Nacional de Educação (CNE) arrisca dizer que nenhum aparato teria evitado uma ação planejada como ocorreu no Rio de Janeiro. “A melhor maneira de evitarmos a violência é ensinando a conviver”, defende. Para ela, os professores podem fazer isso pelo exemplo, pela escolha dos conteúdos, pela maneira como tratam os alunos e, inclusive, incluindo a comunidade. “Se a escola se fecha, prega a exclusão”, explica, colocando-se contra a adoção de barreiras.

“Foi terrível, mas quando se fala em medidas para evitar violência escolar, temos de atuar na formação do ser humano para que isso não ocorra na escola, no shopping, no trânsito e dentro de casa.”

Participação dos pais nas festas escolares ——————————————————————————–

http://www.g1.globo.com – 03.12.10

Participação dos pais nas festas escolares é fundamental

Nesta época, escolas promovem eventos de encerramento do ano.

Assim como os adultos, crianças gostam de ser reconhecidas por seu trabalho.

Ana Cássia Maturano
Especial para o G1, em São Paulo

O final do ano é sempre aquela correria. Os pais têm que concluir o trabalho; os filhos estão as voltas com provas e notas. O cansaço está estampado no rosto de todos. Ainda tem os preparativos para as festas de Natal e Ano Novo, sem falar no período de férias.

Isso não é nada. Tem confraternização aqui, amigo secreto ali e as escolas ainda inventam as apresentações para fechar as atividades letivas. Não só elas, as vezes o coral, o ballet, o inglês… Não tem fim. Essa é sem dúvida uma época cansativa, apesar de gostosa.

A maioria das escolas tem eventos durante todo o ano, como o dia dos pais, das mães e encerramento. Para tanto, convocam os familiares dos alunos para que participem dessas comemorações. No entanto, muitos deles se sentem na obrigação de fazê-lo – ‘para não ficar chato na escola’. Ou então, nem aparecem – reclamam do quanto a instituição fica inventando essas coisas – ‘só para mostrar serviço’.

Penso que um pai não deve participar dessas festas só para não ficar chato na escola. Em verdade, quem se entristece é o filho. Muito provavelmente essas coisas não são feitas para mostrar serviço. É uma forma dela integrar a família, algo fundamental para o envolvimento da criança com a instituição educacional. E consequentemente com seu próprio aprendizado.

Lembro-me de um adolescente que ia muito mal na escola. Sem pai e criado pela mãe, pouco se interessava por ela. Quando tinha algum evento diferente não ia, assim como sua mãe. Ela atribuía ao filho a responsabilidade por não irem.

Porém, desde criança, ele não se envolvia com essas atividades, época em que os pais têm de estimular. E participar. Caso contrário, por si sós, elas não irão. E tão pouco vão valorizar o que talvez sejam as atividades mais importantes para os pequenos – a escola e o aprendizado.

Esse é o mundo deles. A existência das crianças gira em torno da vida escolar, que traz uma denominação para elas: são estudantes. Quando vemos um aluno se apresentar com seus quatro ou cinco anos no teatro do colégio, pode-se ter a certeza que ele se preparou muito para isso – é algo importante para ele. Vai mostrar para as pessoas algo que sabe fazer. Vai mostrar aos pais quem ele está se tornando e o lugar que vem ocupando no mundo.

Sente prazer e medo – não é fácil se mostrar para tantas pessoas. Mas papai e mamãe estarão ali, e eles merecem isso. Além de serem garantia de que tudo ficará bem.
As crianças têm vida e compromissos próprios. Que para elas são tão importantes quanto os dos adultos. Assim como esses têm prazer em realizar seu trabalho e serem reconhecidos por ele, orgulhando-se, as crianças também. Só que o universo delas é menor. Restringe-se à escola. O que nem por isso é menos importante.

Vale a pena participar da vida escolar do filho, inclusive nessas situações. As marcas que serão deixadas, vão ser carregadas pela vida toda.

(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)

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