Planejamento escolar

EE ALEXANDRINA BASSITH

PLANEJAMENTO ESCOLAR
Prof. Sebastião Miguel

O planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos, quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino. O planejamento é um meio para se programar as ações docentes, mas é também um momento de pesquisa e reflexão intimamente ligado à avaliação

1 PLANEJAMENTO EDUCACIONAL, DE CURRÍCULO E DE ENSINO

Se qualquer atividade exige planejamento, a educação não foge dessa exigência. Na área da educação temos os seguintes tipos de planejamento:

1.1 Planejamento educacional:

Consiste na tomada de decisões sobre a educação no conjunto do desenvolvimento geral do país. A elaboração desse tipo de planejamento requer a proposição de objetivos em longo prazo que definam uma política da educação. É o realizado pelo Governo Federal, através do Plano Nacional de Educação e da legislação vigente.

1.2 Planejamento de currículo:

O problema central do planejamento curricular é formular objetivos educacionais a partir daqueles expressos nos guias curriculares oficiais. Nesse sentido, a escola não deve simplesmente executar o que é prescrito pelos órgãos oficiais. Embora o currículo seja mais ou menos determinado em linhas gerais, cabe à escola interpretar e operacionalizar estes currículos. A escola deve procurar adaptá-los às situações concretas, selecionando aquelas experiências que mais poderão contribuir para alcançar os objetivos dos alunos, das suas famílias e da comunidade.
1.3 Planejamento de ensino:

Podemos dizer que o planejamento de ensino é a especificação do planejamento de currículo. Consiste em traduzir em termos mais concretos e operacionais o que o professor fará na sala de aula, para conduzir os alunos a alcançar os objetivos educacionais propostos. Um planejamento de ensino deverá prever:

• Objetivos específicos estabelecidos a partir dos objetivos educacionais.
• Conhecimentos a serem aprendidos pelos alunos no sentido determinado pelos objetivos.
• Procedimentos e recursos de ensino que estimulam, orientam e promovem as atividades de aprendizagem.
• Procedimentos de avaliação que possibilitem a verificação, a qualificação e a apreciação qualitativa dos objetivos propostos, cumprindo pelo menos a função pedagógico-didática, de diagnóstico e de controle no processo educacional.

2 IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO ESCOLAR

O trabalho docente é uma atividade consciente e sistemática, em cujo centro está a aprendizagem ou o estudo dos alunos sob a direção do professor.
O planejamento é um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social. A escola, os professores e os alunos são integrantes da dinâmica das relações sociais; tudo o que acontece no meio escolar está atravessado por influências econômicas, políticas e culturais que caracterizam a sociedade de classes. Isso significa que os elementos do planejamento escolar – objetivos, conteúdos, métodos – estão recheados de implicações sociais, têm um significado genuinamente político. Por essa razão, o planejamento é uma atividade de reflexão acerca das nossas opções e ações; se não pensarmos detidamente sobre o ruma que devemos dar ano nosso trabalho, ficaremos entregues aos rumos estabelecidos pelos interesses dominantes na sociedade. A ação de planejar é uma atividade consciente de previsão das ações docentes, fundamentadas em opções político-pedagógicas, e tendo como referência permanente situações didáticas concretas (isto é, a problemática social, econômica, política e cultural que envolve a escola, os professores, os alunos, os pais, a comunidade, que interagem no processo de ensino).
O planejamento escolar tem, assim, as seguintes funções:
• Explicitar princípios, diretrizes e procedimentos de trabalho docente que assegurem a articulação entre as tarefas da escola e as exigências do contexto social e do processo de participação democrática.
• Expressar os vínculos entre o posicionamento filosófico, político-pedagógico e profissional, as ações efetivas que o professor irá realizar em sala de aula, através de objetivos, conteúdos, métodos e formas organizativas de ensino.
• Assegurar a racionalização, organização e coordenação do trabalho docente, de modo que a previsão das ações docentes possibilite ao professor a realização de um ensino de qualidade e evite a improvisação e rotina.
• Prever objetivos, conteúdos e métodos a partir da consideração das exigências propostas pela realidade social, do nível de preparo e das condições sócio-culturais e individuais dos alunos.
• Assegurar a unidade e a coerência do trabalho docente, uma vez que torna possível inter-relacionar, num plano, os elementos que compõem o processo de ensino: os objetivos (para que ensinar), os conteúdos (o que ensinar), os alunos e suas possibilidades (a quem ensinar), os métodos e técnicas (como ensinar) e a avaliação, que está intimamente relacionada aos demais.
• Atualizar o conteúdo do plano sempre que é revisto, aperfeiçoando-o em relação aos progressos feitos no campo de conhecimentos, adequando-os às condições de aprendizagem dos alunos, aos métodos, técnicas e recursos de ensino que vão sendo incorporados na experiência cotidiana.
• Facilitar a preparação das aulas: selecionar o material didático em tempo hábil, saber que tarefas professor e alunos devem executar, replanejar o trabalho frente a novas situações que aparecem no decorrer das aulas.
Para que os planos sejam efetivamente instrumentos para a ação, devem ser como um guia de orientação de devem apresentar ordem seqüencial, objetividade, coerência, flexibilidade.

3 ETAPAS DO PLANEJAMENTO DE ENSINO

3.1 Conhecimento da realidade:

Para poder planejar adequadamente a tarefa de ensino e atender às necessidades do aluno é preciso, antes de qualquer coisa, saber para quem se vai planejar. Por isso, conhecer o aluno e seu ambiente é a primeira etapa do processo de planejamento. É preciso saber quais as aspirações, frustrações, necessidades e possibilidades dos alunos. Fazendo isso, estaremos fazendo uma Sondagem, isto é, buscando dados.
Uma vez realizada a sondagem, deve-se estudar cuidadosamente os dados coletados. A conclusão a que chegamos, após o estudo dos dados coletados, constitui o Diagnóstico.
Sem a sondagem e o diagnóstico corre-se o risco de propor o que é impossível alcançar ou o que não interessa ou, ainda, o que já foi alcançado.

3.2 Requisitos para o planejamento

• Objetivos e tarefas da escola democrática: estão ligados às necessidades de desenvolvimento cultural do povo, de modo a preparar as crianças e jovens para a vida e para o trabalho.
• Exigências dos planos e programas oficiais: são as diretrizes gerais, são documentos de referência, a partir dos quais são elaborados os planos didáticos específicos.
• Condições prévias para a aprendizagem: está condicionado pelo nível de preparo em que os alunos se encontram em relação ás tarefas de aprendizagem

3.3 Elaboração do plano:

A partir dos dados fornecidos pela sondagem e interpretados pelo diagnóstico, temos condições de estabelecer o que é possível alcançarem o que julgamos possíveis e como avaliar os resultados. Por isso, passamos a elaborar o plano através dos seguintes passos:

• Determinação dos objetivos.
• Seleção e organização dos conteúdos.
• Análise da metodologia de ensino e dos procedimentos adequados.
• Seleção de recursos tecnológicos.
• Organização das formas de avaliação.
• Estruturação do plano de ensino.

3.4 Execução do plano:

Ao elaborarmos o plano de ensino, antecipamos, de forma organizada, todas as etapas do trabalho escolar. A execução do plano consiste no desenvolvimento das atividades previstas.
Na execução, sempre haverá o elemento não plenamente previsto. Às vezes, a reação dos alunos ou as circunstâncias do ambiente dispensa o planejamento, pois, uma das características de um bom planejamento deve ser a flexibilidade.

3.5 Avaliação e aperfeiçoamento do plano:

Ao término da execução do que foi planejado, passamos a avaliar o próprio plano com vistas ao replanejamento.
Nessa etapa, a avaliação adquire um sentido diferente da avaliação do ensino-aprendizagem e um significado mais amplo. Isso porque, além de avaliar os resultados do ensino-aprendizagem, procuramos avaliar a qualidade do nosso plano, a nossa eficiência como professor e a eficiência do sistema escolar.

4 O PLANO DA ESCOLA

O plano da escola é o plano pedagógico e administrativo da unidade, onde se explicita a concepção pedagógica do corpo docente, as bases teórico-metodológicas da organização didática, a contextualização social, econômica, política e cultural da escola, a caracterização da clientela escolar, os objetivos educacionais gerais, a estrutura curricular, diretrizes metodológicas gerais, o sistema de avaliação do plano, a estrutura organizacional e administrativa.
O plano da escola é um guia de orientação para o planejamento do processo de ensino. Os professores precisam ter em mãos esse plano abrangente, não só para uma orientação do seu trabalho, mas para garantir a unidade teórico-metodológica das atividades escolares.

4.1 Roteiro para elaboração do plano da escola:

• Posicionamento sobre as finalidades da educação escolar na sociedade e na nossa escola
• Bases teórico-metodológicas da organização didática e administrativa: tipo de homem que queremos formar, tarefas da educação, o significado pedagógico-didático do trabalho docente, relações entre o ensino e o desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos, o sistema de organização e administração da escola.
• Caracterização econômica, social, política e cultural do contexto em que está inserida a nossa escola.
• Características sócio-culturais dos alunos
• Objetivos educacionais gerais da escola
• Diretrizes gerais para elaboração do plano de ensino da escola: sistema de matérias – estrutura curricular; critérios de seleção de objetivos e conteúdos; diretrizes metodológicas gerais e formas de organização do ensino e sistemática de avaliação.
• Diretrizes quanto à organização e a à administração: estrutura organizacional da escola; atividades coletivas do corpo docente; calendário e horário escolar; sistema de organização de classes, de acompanhamento e aconselhamento de alunos, de trabalho com os pais; atividades extra-classe; sistema de aperfeiçoamento profissional do pessoal docente e administrativo e normas gerais de funcionamento da vida coletiva.

5 COMPONENTES BÁSICOS DO PLANEJAMENTO DE ENSINO
O plano de ensino é um roteiro organizado das unidades didáticas para um ano ou semestre. É denominado também de plano de curso, plano anual, plano de unidades didáticas e contém os seguintes componentes: ementa da disciplina, justificativa da disciplina em relação ao objetivos gerais da escola e do curso; objetivos gerais; objetivos específicos, conteúdo (com a divisão temática de cada unidade); tempo provável (número de aulas do período de abrangência do plano); desenvolvimento metodológico (métodos e técnicas pedagógicas específicas da disciplina); recursos tecnológicos; formas de avaliação e referencial teórico (livros, documentos, sites, etc)
5.1 Exemplo:

PROGRAMA ANUAL
CURSO:
DISCIPLINA: PROFESSORA:
TURNO: CARGA HORÁRIA: horas/aula
SÉRIE: TURMA: ANO:
1. EMENTA
2. JUSTIFICATIVA
3. OBJETIVOS
4. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
4.1. 1º Bimestre
4.2. 2º Bimestre
4.3. 3º Bimestre
4.4. 4º Bimestre
5. METODOLOGIA DE ENSINO
6. RECURSOS TECNOLÓGICOS (DIDÁTICOS)
7. AVALIAÇÃO
8. REFERENCIAL TEÓRICO
9. INDICAÇÃO DE LEITURAS PARA ALUNOS

5.2 Ementa:

É uma descrição discursiva que resume o conteúdo conceitual ou conceitual/procedimental de uma disciplina.

5.3 Justificativa:

A justificativa deverá responder a três questões básicas do processo didático: o por quê?, o para quê e o como.

5.4 Objetivos:

É a descrição clara do que se pretende alcançar como resultado da nossa atividade. Os objetivos nascem da própria situação: da comunidade, da família, da escola, da disciplina, do professor e principalmente do aluno. Os objetivos, portanto, são sempre do aluno e para o aluno.
Os objetivos educacionais ou gerais são as metas e os valores mais amplos que a escola procura atingir a longo prazo, e os objetivos instrucionais, também chamados de específicos, são proposições mais específicas referentes às mudanças comportamentais esperadas para um determinado grupo-classe.
Para manter a coerência interna do trabalho de uma escola, o primeiro cuidado será o de selecionar os objetivos específicos que tenham correspondência com os objetivos gerais das áreas de estudo que, por sua vez, devem estar coerentes com os objetivos educacionais do planejamento de currículo. E os objetivos educacionais, conseqüentemente, devem estar coerentes com a linha de pensamento da entidade à qual o plano se destina. Vejamos, agora, alguns exemplos de objetivos educacionais (gerais) e instrucionais (específicos):
Assinale se é Geral (G) ou Específico (E):
 Criar situações de aprendizagem para que a criança adquira conhecimentos que facilitem a localização de sua comunidade e de seu município, possibilitando-lhe a compreensão das características naturais, culturais, sociais e econômicas do ambiente em que vive.
 Desenvolver o hábito de observação do meio ambiente.
 Estimular no aluno o ideal de consciência grupal.
 Identificar na comunidade os seus diferentes aspectos naturais, culturais, sociais e econômicos.
 Utilizar os recursos da comunidade como fonte de informações.
 Relacionar unidades de medida aos tipos de objetos apresentados no desenho.
 Aplicar os conhecimentos de medida em várias situações no cotidiano.
 Identificar matéria-prima e produto.
 Destacar os centros comerciais e industriais.
 Compreender por que os serviços públicos de atendimento às necessidades da população são direitos do cidadão e obrigação dos órgãos públicos.
 Desenvolver a criatividade e o espírito crítico no aluno.
 Reconhecer o mapa do município e a sua configuração.
 Localizar o país, o Estado e o município, no mapa-múndi.
Partindo dos conteúdos, fixará os objetivos específicos, ou seja, os resultados a obter do processo de transmissão-assimilação ativa dos conhecimentos, conceitos, habilidades.
Na redação, o professor transformará tópicos das unidades numa proposição (afirmação) que expresse o resultado esperado e que deve ser atingido por todos os alunos ao término daquela unidade didática.
Os resultados são conhecimentos (conceitos, fatos, princípios, teorias, interpretações, idéias organizadas, etc) e habilidades (o que deve aprender para desenvolver suas capacidades intelectuais, motoras, afetivas, artísticas, etc.)
Na redação dos objetivos específicos, o professor pode indicar também as atitudes e convicções em relação à matéria, ao estudo, ao relacionamento humano, à realidade social (atitude científica, consciência crítica, responsabilidade, solidariedade, etc.)
Devem ser redigidos com clareza, ser realistas, corresponder à capacidade de assimilação dos alunos, conforme seu nível de desenvolvimento mental e sua idade.

5.5 Conteúdo:

Refere-se à organização do conhecimento em si, com base nas suas próprias regras. Abrange também as experiências educativas no campo do conhecimento, devidamente selecionadas e organizadas pela escola.
O conteúdo é um instrumento básico para poder atingir os objetivos.
Em geral, os guias curriculares oficiais oferecem uma relação de conteúdos das várias áreas que podem ser desenvolvidos em cada série. Pode-se selecionar o conteúdo com base nesses guias. Não devemos esquecer, no entanto, de levar em conta a realidade da classe.
Outros cuidados que devem ser observados na seleção dos conteúdos:

• Devemos delimitar os conteúdos por unidades didáticas, com a divisão temática de cada uma. Unidade didática são o conjunto de temas inter-relacionados que compõem o plano de ensino para uma série ou módulo. Cada unidade didática contém um tema central do programa, detalhado em tópicos.
• Conteúdo selecionado precisa estar relacionado com os objetivos definidos. Devemos escolher os conhecimentos indispensáveis para que os alunos adquiram os comportamentos fixados.
• Um bom critério de seleção é a escolha feita em torno de conteúdos mais importantes, mais centrais e mais atuais, com base no programa oficial da matéria, no livro didático adotado pela instituição.
• É importante é o fato de o mestre estar apto a levantar a idéia central do conhecimento que deseja trabalhar. Para que tal ocorrência se verifique, é indispensável que o professor conheça em profundidade a natureza do fenômeno que pretende que seus alunos conheçam.
• Conteúdo precisa ir do mais simples para o mais complexo, do mais concreto para o mais abstrato.

Finalmente faça uma última checagem para verificar:

• As unidades formam um todo homogêneo e lógico.
• As unidades realmente contêm o conteúdo básico essencial.
• O tempo para desenvolver cada unidade é realista.
• Os tópicos de cada unidade possibilitam o entendimento da idéia central.
• Os tópicos de cada unidade podem ser transformados em tarefas de estudo para os alunos e em objetivos e habilidades.

5.6 Desenvolvimento metodológico ou metodologia de ensino:

Procedimentos de ensino são ações, processos ou comportamentos planejados pelo professor para colocar o aluno em contato direto com coisas, fatos ou fenômenos que lhes possibilitem modificar sua conduta, em função dos objetivos previstos (TURRA apud PILETTI, 2003, p. 67).

Indica o que o professor e os alunos farão no desenrolar de uma aula ou conjunto de aulas.
Sua função é articularem objetivos e conteúdos com métodos e procedimentos de ensino que provoquem a atividade mental e prática dos alunos (resolução de situações problemas, trabalhos de elaboração mental, discussões, resolução de exercícios, aplicação de conhecimentos e habilidades em situações distintas das trabalhadas em classe, etc.)
O professor, ao organizar as condições externas favoráveis à aprendizagem, utiliza meio ou modos organizados de ação, conhecidos como técnicas de ensino. As técnicas de ensino são maneiras particulares de organizar a atividade dos alunos no processo de aprendizagem.
O desenvolvimento metodológico de objetivos e conteúdos estabelece a linha que deve ser seguida no ensino (atividade do professor) e na assimilação (atividade do aluno) da matéria de ensino.
Ao planejar os procedimentos de ensino, não é suficiente fazer uma listagem de técnicas que serão utilizadas, como aula expositiva, trabalho dirigido, excursão, trabalho em grupo, etc. Devemos prever como utilizar o conteúdo selecionado para atingir os objetivos propostos. As técnicas estão incluídas nessa descrição. Os procedimentos têm uma abrangência bem mais ampla, pois envolvem todos os passos do desenvolvimento da atividade de ensino propriamente dita. Os procedimentos de ensino selecionados pelo professor devem:

• Ser diversificados;
• Estar coerentes com os objetivos propostos e com o tipo de aprendizagem previsto nos objetivos;
• Adequar-se às necessidades dos alunos;
• Servir de estímulo à participação do aluno no que se refere às descobertas;
• Apresentar desafios.

Exemplos:
• aulas interativas, projetos de aprendizagem, etc.
• ensino individualizado (módulos de ensino, instrução audiotutorial, estudo através de fichas, solução de problemas, etc.),
• métodos didáticos (expositivo, interrogativo, intuitivo, etc.),
• métodos ativos (método Montessori, plano Dalton, o sistema Winnetka, método de projetos, método de trabalho em grupo, etc.),
• Técnicas (discussão circular, debate, painel integrado, phillips 66, mesa-redonda, seminário, etc.)

5.7 Recursos tecnológicos (didáticos, audiovisuais ou de ensino):

As tecnologias merecem estar presentes no cotidiano escolar primeiramente porque estão presentes na vida, mas também para:
• Diversificar as formas de produzir e apropriar-se do conhecimento.
• Serem estudadas, como objeto e como meio de se chegar ao conhecimento, já que trazem embutidas em si mensagens e um papel social importante.
• Permitir ao alunos, através da utilização da diversidade de meios, familiarizarem-se com a gama de tecnologias existentes na sociedade.
• Serem desmistificadas e democratizadas.
• Dinamizar o trabalho pedagógico.
• Desenvolver a leitura crítica.
• Ser parte integrante do processo que permite a expressão e troca dos diferentes saberes.

Exemplos: álbum seriado, cartão-relâmpago, cartaz, ensino por fichas, estudo dirigido, flanelógrafo, gráficos, história em quadrinhos, ilustrações, jogos, jornal, livro didático, mapas, globos, modelos, mural, peça teatral, quadro-de-giz, quadro de pregas, sucata, textos, terrário, aquário, maquetes, equipamentos esportivos, computador, vídeo, dvd, cd, internet, sites, correio eletrônico, softwares, rádio, slide, TV, transparências para retroprojetor, etc.

5.8 Avaliação:

Avaliação é o processo pelo qual se determina o grau e a quantidade de resultados alcançados em relação aos objetivos, considerando o contexto das condições em que o trabalho foi desenvolvido.
No planejamento da avaliação é importante considerar a necessidade de:

• Avaliar continuamente o desenvolvimento do aluno.
• Selecionar situações de avaliação diversificadas, coerentes com os objetivos propostos.
• Selecionar e/ou montar instrumentos de avaliação.
• Registrar os dados da avaliação.
• Aplicar critérios aos dados da avaliação.
• Interpretar resultados da avaliação.
• Comparar os resultados com os critérios estabelecidos (feed-back).
• Utilizar dados da avaliação no planejamento.
O feedback deve ser encarado como retroinformação para o professor sobre o andamento de sua atuação. Dessa forma, a avaliação desloca-se do plano da competição entre professor e aluno, para significar a medida real do conhecimento, tornando-se assim menos arbitrária.

6 PLANO BIMESTRAL:

O planejamento do bimestre pode conter uma unidade didática ou mais. É uma especificação maior do plano de curso. Uma unidade de ensino é formada de assuntos inter-relacionados. O planejamento bimestral das unidades didáticas também inclui objetivos, conteúdos, etc. Em princípio, deve ser planejado ao final do bimestre, ou período que o antecede, pois esta lhe servirá de base ou apoio. Isto significa que os bimestres ou unidades serão planejadas ou replanejadas ao longo do curso.

6.1 Exemplo:

COLÉGIO ESTADUAL WOLFF KLABIN
ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO
Av. Presidente Kennedy, 515 – Centro – Fone: (42) 3273.4198
84.261-400 – Telêmaco Borba – Paraná

PROGRAMA 1º BIMESTRE

CURSO:
DISCIPLINA: PROFESSORA:
TURNO: CARGA HORÁRIA: horas/aula
SÉRIE: TURMA: ANO:

OBJETIVOS

PROGRAMA
CONTEÚDOS Nº AULAS ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO AVALIAÇÃO

RECURSOS TECNOLÓGICOS

REFERENCIAL TEÓRICO

INDICAÇÃO DE LEITURA COMPLEMENTAR

Telêmaco Borba, __/__/____.
Assinatura da Professora: ______________________

7 PLANEJAMENTO DE AULA:

A aula é a forma predominante de organização didática do processo de ensino. É na aula que organizamos ou criamos as situações docentes, isto é, as condições e meios necessários para que os alunos assimilem ativamente conhecimentos, habilidades e desenvolvam suas capacidades cognoscitivas.
O plano de aula é o detalhamento do plano de ensino. As unidades didáticas e subunidades (tópicos) que foram previstas em linhas gerais são agora especificadas e sistematizadas para uma situação didática real. A preparação da aula é uma tarefa indispensável e, assim como o plano de ensino, deve resultar num documento escrito que servirá não só para orientar as ações do professor como também para possibilitar constantes revisões e aprimoramentos de ano para ano. Em todas as profissões o aprimoramento profissional depende da acumulação de experiências conjugando a prática e a reflexão criteriosa sobre a ação e na ação, tendo em vista uma prática constantemente transformadora para melhor.
Na elaboração do plano de aula, deve-se levar em consideração, em primeiro lugar, que a aula é um período de tempo variável. Dificilmente completamos numa só aula o desenvolvimento de uma unidade didática ou tópico de unidade, pois o processo de ensino e aprendizagem se compõe de uma seqüência articulada de fases:

• Preparação e apresentação dos objetivos, conteúdos e tarefas.
• Desenvolvimento da matéria nova.
• Consolidação (fixação, exercícios, recapitulação, sistematização).
• Síntese integradora e aplicação.
• Avaliação.

Isto significa que não devemos preparar uma aula, mas um conjunto de aulas.

7.1 Como elaborar um plano de aula?

O primeiro passo é indicar o tema central da aula. Exemplo: matéria-prima e produto.

A seguir devem-se estabelecer os objetivos da aula.
Exemplo: Ao final das atividades propostas o aluno será capaz de:
• Identificar matéria-prima e produto
• Compreender os processos de transformação de matéria-prima em produto, relacionando com as questões ambientais.
• Destacar as principais indústrias de seu município e a origem das matérias primas.
• Listar produtos transformados de matéria-prima, utilizados no seu cotidiano.
Em terceiro lugar indica-se o conteúdo que será objeto de estudo.
Exemplo:
• Matéria-prima.
• Produto.
• Matéria-prima e sua procedência.
• As indústrias do município.

Em quarto lugar estabelecem-se os procedimentos e recursos de ensino, isto é, estabelecem-se as formas de utilizar o conteúdo selecionado para atingir os objetivos propostos.
Nesse caso, por exemplo, para o aluno identificar matéria-prima, produto e processos de transformação, pode-se programar com eles uma excursão a uma indústria. Assim, o professor pode planejar uma excursão como ponto de referência para ele próprio, mas não deve dar o planejamento pronto aos alunos. Proceder a orientações quanto a conceitos básicos que os alunos devem dominar antes da visita. Deverá, sim, estimula-los para que, com seu auxílio, planejem a excursão. Para isso procurará levantar com seus alunos as questões mais interessantes e sobre as quais gostaria de obter respostas, como, por exemplo:
• Nome da fábrica.
• Endereço da fábrica. (área industrial, urbana…)
• Número de operários da fábrica.
• Diferentes tipos de funções dentro da fábrica.
• Salários.
• Matéria-prima e sua procedência.
• Produtos fabricados.
• Utilidade dos produtos.
• Qualificação profissional das pessoas que trabalham na fábrica.
• Como a fábrica faz a preservação ambiental.
• Existem programas de qualidade de vida para os operários e programa sociais.
Em quinto lugar, no dia seguinte ao da visita, deve-se fazer uma síntese integradora das informações colhidas pelos alunos. Além disso, outras atividades complementares poderão ser desenvolvidas. Assim, aproveitando a experiência adquirida com a excursão, cada aluno poderá individualmente entrevistar uma pessoa que trabalha em alguma fábrica e obter dela as seguintes informações:

• Em que fábrica esta pessoa trabalha.
• Qual a função que desempenha e sua formação escolar.
• Número de operários que trabalham na fábrica.
• Que a fábrica produz.
• Material usado na fabricação dos produtos.
• Como a empresa preserva o meio ambiente.

Ao retornarem das entrevistas o professor deve proporcionar um espaço para troca de idéias, onde cada aluno expõe o achou interessante em sua entrevista, estabelecendo um paralelo com os relatos dos colegas, onde o professor fará a mediação do processo de discussão.
Em sexto lugar, o professor proporciona a consolidação com atividades variadas, que pode ser realizada no decorrer do processo e não apenas em um momento específico.
Outra atividade que pode ser desenvolvida consiste em investigar que matéria-prima é utilizada na fabricação de uma série de objetos usados pelo próprio aluno, como sapatos, lápis, bola, caderno, livro, etc.
Finalmente, o planejamento da aula deve prever como será feita a avaliação. No exemplo que estamos considerando, não podemos propor apenas questões do tipo:

• Que é produto?
• Que é matéria-prima?
• Que é indústria?

Procedendo dessa maneira, estamos avaliando apenas se o aluno memorizou essas definições. Precisamos, nesse caso, propor situações de avaliação que possibilitem verificar se o aluno realmente é capaz de identificar o produto e matéria-prima em situações novas. Poderíamos, por exemplo, propor as seguintes situações de avaliação:
• Solicitar que os alunos recortem de jornais e revistas nomes e figuras de matérias-primas para que o aluno indique os produtos que podem ser fabricados a partir delas.
• Dar uma relação de produtos conhecidos do aluno para que ele indique a matéria-prima da qual é feito cada um deles, podendo montar jogos da memória a partir da seleção.
• Aplicar ao aluno uma série de com questões variadas, para que ele assinale as proposições que correspondam ao conceito de produto e/ou matéria-prima.
• Apresentar um texto para que o aluno o interprete e indique o que é produto e/ou matéria-prima.

7.2 Vamos revisar o nosso planejamento:

• Releia os objetivos gerais da matéria.
• Verifique a seqüência no plano de ensino.
• Observe se os alunos estão preparados para o estudo deste conteúdo novo.
• O desdobramento do tópico da unidade possui uma seqüência lógica.
• Os objetivos específicos estão de acordo com a proposta do plano anual, bimestral…
• A idéia central do tópico está clara no conteúdo programado.
• O número de aulas é suficiente para o tema proposto.
• O desenvolvimento metodológico e interessante e estimula a participação ativa do aluno e prevê:
o Preparação e introdução do assunto.
o Desenvolvimento e estudo ativo do assunto.
o Sistematização e aplicação.
o Tarefas de casa.
• Foi previsto a avaliação diagnóstica, formativa e somativa, isto é, no início, durante e no final das atividades.
Sabemos que o êxito dos alunos não depende unicamente do professor e de seu método de trabalho, pois a situação docente envolve muitos fatores de natureza social, psicológica, o clima geral da dinâmica da escola, etc. Entretanto o trabalho docente tem um peso significativo ao proporcionar condições efetivas para o êxito escolar dos alunos.
Ao fazer a avaliação das aulas, convém ainda levantar questões como estas:
• Os objetivos e conteúdos foram adequados à turma?
• O tempo de duração da aula foi adequado?
• Os métodos e técnicas de ensino foram variados e oportunos para suscitar atividade mental e prática dos alunos?
• Foram feitas avaliações da aprendizagens dos alunos no decorrer das aulas (formais e informais)?
• O relacionamento professor-aluno foi satisfatório?
• Houve uma organização segura das atividades, de modo a ter garantido um clima de trabalho favorável?
• Foram propiciadas tarefas de estudo ativo e independente dos alunos?
• Os alunos realmente consolidaram a aprendizagem da matéria, num grau suficiente para introduzir matéria nova?

Anotações:

7.3 Modelos de plano de aula:

7.3.1 – Modelo de Nelson Piletti:

Tema central:

Objetivos:

Conteúdo:

Procedimentos de ensino Recursos Procedimentos de avaliação

7.3.2 Modelo de Imídeo Nérice (tecnicista):

1 Cabeçalho
2 Objetivos
3 Motivação
4 Desenvolvimento da aula
• Revisão da aula anterior e articulação com a experiência passada do aluno.
• Assunto novo.
• Síntese ou resumo
5 Procedimentos didáticos:
• Técnicas de ensino a empregar
• Material didático a ser usado
• Atividades previstas para os alunos
• Fixação, integração e avaliação
• Tarefas
6 Notas complementares:
• Enriquecimento do vocabulário
• Questão proposta para reflexão
• Assunto provável da próxima aula
• Bibliografia
7 Crítica da aula
• O que não foi realizado?
• Por quê?
• Que deve passar para a aula seguinte e o que deve ser reelaborado?
• Como melhorar a aula?
Observações e ocorrência durante a aula.
7.3.3 Modelo de José Carlos Libâneo (Pedagogia crítico-social dos conteúdos):

Escola: Disciplina: Data:
Série: Professor:
Unidade didática:

Objetivos Específicos Conteúdos Nº aulas Desenvolvimento Metodológico

Preparação:

Introdução do assunto:

Desenvolvimento e estudo ativo do assunto:

Sistematização e aplicação:

Tarefas para casa:

Avaliação:
Referencial teórico:

7.3.3 Modelo de Imídeo Nérice (tecnicista):

1 Cabeçalho
2 Objetivos
3 Motivação
4 Desenvolvimento da aula
• Revisão da aula anterior e articulação com a experiência passada do aluno.
• Assunto novo.
• Síntese ou resumo
5 Procedimentos didáticos:
• Técnicas de ensino a empregar
• Material didático a ser usado
• Atividades previstas para os alunos
• Fixação, integração e avaliação
• Tarefas
6 Notas complementares:
• Enriquecimento do vocabulário
• Questão proposta para reflexão
• Assunto provável da próxima aula
• Bibliografia
7 Crítica da aula
• O que não foi realizado?
• Por quê?
• Que deve passar para a aula seguinte e o que deve ser reelaborado?
• Como melhorar a aula?
• Observações e ocorrência durante a aula.

7.3.4 Modelo simplificado:

Identificação:
Local: Disciplina:
Tema: Série: Turma:
Data: Duração:

Objetivos:
Esquema do conteúdo:
Descrição do desenvolvimento metodológico:
Introdução ao assunto:
Desenvolvimento do conteúdo:
Síntese Integradora:
Recursos Humanos, Pedagógicos e Físicos:
Avaliação da aprendizagem:
Referencial Teórico:
7.3.5 Plano de aula de Celso Vasconcelos:

• Assunto: indicação temática a ser trabalhada.
• Necessidade: explicitação das necessidades percebidas no grupo e que justificam a proposta de ensino.
• Objetivo
• Conteúdo
• Metodologia: explicitação dos procedimentos de ensino, técnicas, estratégias, a serem utilizadas no desenvolvimento do assunto.
• Tempo
• Recursos
• Avaliação
• Tarefa: suas funções básicas são o aprofundamento e síntese do que está sendo visto em classe, assim como, ajudar o aluno a ter representações mentais prévias disponíveis correlatas ao assunto a ser tratado nas aulas seguintes.
• Observações: suas anotações, reflexões e avaliação sobre a caminhada, tornando a aula um instrumento de pesquisa sobre a prática. É preciso resgatar o hábito de escrever sobre a prática (Diário de bordo), tendo em vista a possibilidade de uma reflexão mais sistemática.

7.3.6 Plano de aula para Juan Díaz Bordenava e Adair Martins Pereira:

• Preparação da classe: o professor inicia o relacionamento com seus alunos, se faz conhecer se é novo, conhece os alunos e, em geral, define seu papel de orientador democrático.
• Apresentação de uma situação-problema: o professor coloca um desafio frente aos alunos, para excitar sua curiosidade, incita-lhes a pensar, a procurar a solução. O problema pode ser apresentado como uma pergunta, como uma afirmação a ser constatada, como um caso de estudo, como um paradoxo, etc.
• Pesquisa conjunta da solução: os alunos, desafiados pelo problema, procuram a solução. Para isso, o professor lhes orienta no uso de técnicas variáveis de pesquisa (biblioteca, entrevista, dados estatísticos, correspondência, laboratório, debates, discussões, etc.). O trabalho é fundamentalmente dos alunos, preferivelmente em grupos.
• Teorização: as descobertas dos alunos necessitam ser organizadas e explicadas. Só assim poderá haver transferência e generalização da aprendizagem. De fato, aprender fatos não é ainda aprender. As observações devem ser levantadas ao nível da teoria. Esta é uma responsabilidade do professor, no sentido de ajudar os alunos a criar modelos ou estruturas, nas quais aparecem as principais variáveis do problema e suas relações recíprocas.
• Aplicação: Os alunos testam, contra a realidade, a validade do que foi aprendido. Aí reinicia-se o ciclo, passando a outra situação-problema, que incorpore o já aprendido como um dado a mais.

7.3.7 Metodologia da pedagogia histórico-crítica – José Luiz Gasparin

1º passo: PRÁTICA SOCIAL INICIAL:

 Iniciar as atividades apresentando aos alunos os objetivos, os tópicos e subtópicos da unidade que se pretende estudar, e em seguida, dialogar com os alunos sobre os mesmos,

 Os alunos mostram sua vivência do conteúdo, isto é, o que já sabem sobre o tema a ser trabalhado e perguntam tudo que gostariam de saber sobre o novo assunto em pauta, e tudo será anotado pelo professor.

 A prática social inicial pode ser feita como um todo no início da unidade e retomada, em seus aspectos específicos, a cada aula, conforme o conteúdo a ser trabalhado. Ou, a cada aula, o professor destaca a prática social específica do conteúdo que vai trabalhar naquele dia.

2º passo: PROBLEMATIZAÇÃO:

 Identificar os principais problemas postos pela prática e pelo conteúdo curricular, seguindo-se uma discussão sobre eles, a partir daquilo que os alunos já conhecem;

 Explicar que o conhecimento (conteúdo) vai ser construído (trabalhado) nas dimensões conceitual, científica, social, histórica, econômica, política, estética, religiosa, ideológica, etc., transformadas em questões problematizadoras.

3º passo: INSTRUMENTALIZAÇÃO:

 É a apresentação sistemático-dialógica do conteúdo científico, contrastando-o com o cotidiano e respondendo às perguntas das diversas dimensões propostas. É o exercício didático da relação sujeito-objeto pela ação do aluno e mediação do professor. É o momento da efetiva construção do novo conhecimento.

4ºpasso: CATARSE:

 Representa a síntese do aluno, sua nova postura mental; a demonstração do novo grau de conhecimento a que chegou, expresso pela avaliação espontânea ou formal.

5° passo: PRÁTICA SOCIAL FINAL:

 É a manifestação da nova atitude prática do educando em relação ao conteúdo aprendido, bem como do compromisso em pôr em execução o novo conhecimento. É a fase das intenções e propostas de ações dos alunos.

7.3.8 Metodologia da Problematização do Ensino por Neusi Berbel:

• REALIDADE SOCIAL: como ponto de partida e de chegada;
• processo criativo de ação-reflexão sobre um determinado aspecto extraído, observado ou vivido;
• este aspecto será traduzido em nova ação (mais elaborado);
• provocar intencionalmente alguma transformação;
ETAPAS:

• OBSERVAÇÃO
o Observar algo relacionado à temática de estudo.
o Perceber o que é pertinente.
o O conhecimento permite ao aluno ver determinado aspecto como problema.
o Problematização: exercício intelectual e social.
• VÁRIOS PROBLEMAS
o Dadas as condições, analisar se todos os problemas poderão ser estudados ou se priorizará um deles.
o Para selecionar o problema (usar critérios).
• PONTOS CHAVES
o Identificá-los no problema:
o Quais as suas possíveis causas
o Quais seus possíveis determinantes contextuais
o Quais seus componentes e seus desdobramentos
• TEORIZAÇÃO
o Resposta das questões anteriores darão origem à uma lista de: preocupações; afirmações iniciais; novas perguntas; pressupostos orientadores de estudo; tópicos a serem explorados; diferentes formas de elaboração.
o Usar idéias e teorias já disponíveis sobre o problema.
o Se houver necessidade voltar à observação.
o Buscar sistematicamente informações técnicas, científicas, empíricas, oficiais, com auxílio de procedimentos de pesquisa.
o DIFERENTES ÂNGULOS DO PROBLEMA SÃO ANALISADOS A PARTIR DAS INFORMAÇÕES COLHIDAS EM DIVERSAS FONTES.
• HIPÓTESES DE SOLUÇÃO
o Momento de comparar crenças iniciais com as informações atuais.
o Pode-se reforçar posições anteriores, reformular posições iniciais.
o Aprendizagem efetiva vem da relação da teoria com a percepção dos fenômenos concretos, reais.
o Encontrar alternativas;
o Elaborar propostas de superação do problema central em estudo;

• APLICAÇÃO À REALIDADE (prática)
o Ações sobre a realidade, que devem ser tomadas, executadas ou encaminhadas;
o Compromisso dos alunos com o seu meio;
o Aplicação à realidade
 O que fazer
 Como fazer, em que condições
 Com que estratégias
 Com que recursos
 Para obter que efeitos
 Com que finalidade e para beneficiar a quem
o Condições objetivas
 Nível de conhecimento
 Disponibilidades das pessoas envolvidas
 Autoridade; poder necessário para intervenção
 Uso das estratégias; momento oportuno
 Grau de comprometimento e consciência social

REFERENCIAL TEÓRICO

1. BERBEL, Neusi Aparecida Navas. A metodologia da problematização no ensino superior e sua contribuição para o plano da práxis. Revista Semina. Londrina. V. 17. Edição especial. p. 7 a 12. nov. 1996.
2. BORDENAVE, Juan Díaz; PEREIRA, Adair Martins. Estratégias de ensino-aprendizagem. 11 ed. Petrópolis: Vozes, 1989. p. 117-118.
3. GASPARIN, João Luiz. Uma didática para a Pedagogia Histórico-Crítica. Campinas: Cortez, 2003.
4. LEITE, Lígia Silva (coord) et all. Tecnologia Educacional: descubra suas possibilidades na sala de aula. Petrópolis: Vozes, 2003
5. LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1991. p. 221-247
6. MARTINS, José do Prado. Didática geral. São Paulo: Atlas, 1988. p. 183-194.
7. NÉRICI, Imídeo G. Introdução a Didática Geral. Rio de Janeiro: Ed. Científica, s.d., 149-157.
8. PILETTI, Claudino. Didática Geral. 23 ed. rev. São Paulo: Ática, 2003. p. 60-85
VASCONCELOS, Celso dos S. Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto político-pedagógico. 5. ed. São Paulo: Libertad, 19

Edna Maria Santana Magalhães

Estrutura Curricular
Modalidade / Nível de Ensino Componente Curricular Tema
Ensino Médio Língua Portuguesa Gêneros discursivos: narrativo, argumentativo, descritivo, injuntivo, dialogal
Ensino Médio Literatura Estudos literários: análise e reflexão
Ensino Médio Literatura Literatura brasileira, clássica e contemporânea: criações poéticas, dramáticas e ficcionais da cultura letrada
Ensino Médio Língua Portuguesa Produção, leitura, análise e reflexão sobre linguagens

Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula
Pesquisar e conhcer a origem dos livros de linhagem dentro da prosa medieval do Trovadorismo.

Estabelecer características da prosa medieval e o Trovadorismo.

Produzir um registro de memórias da família de cada aluno, bem como o estudo de sua genealogia.

Elaborar uma entrevista sobre a origem das famílias e os graus de parentesco dos familiares dos alunos.

Conhecer, problematizar e analisar os recursos da linguagem literária trovadoresca presentes nos textos estudados.

Duração das atividades
4 aulas geminadas (1 hora e 40 minutos) – 5 horas/aula ou 360 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Para essa proposta pedagógica, é preciso que os alunos:

. conheçam o estilo de época Trovadorismo e suas características, principalmente referente à prosa medieval.

. identifiquem as fontes de informação nos suportes.

. conheçam os elementos que caracterizam um registro de memórias e o tipo de linguagem utilizada nesse gênero.

. façam a distinção dos usos de recursos de linguagem em outros gêneros textuais.

Estratégias e recursos da aula
Aula 1
Professor,

Inicie a aula, apresentando uma música de Chico Buarque sobre a origem, as raízes de uma família:

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/45158/

(Acesso em 20/06/2010)

Pergunte aos alunos se eles conhecem a origem da família deles e seus antepassados.

Fale com eles que esse estudo sobre a origem da família, os graus de parentesco já foi muito importante na época medieval, como uma forma de evitar os casamentos consanguíneos e esclarecer os direitos a heranças, tronos, patrimônios. Isso surgiu em pleno Trovadorismo e foi uma das manifestações literárias da prosa medieval.

Para ilustrar isso, apresente aos alunos, uma sequência de slides sobre essa temática:

(Acesso em 19/06/2010)

Professor,

Retome uma das palavras que apareceram na sequência de slides: “Compilação”

Peça para que os alunos procurem o significado da palavra. Veja que, como a própria palavra nos sugere, não é apenas COPIAR. O sentido é bem mais amplo. Está relacionado a uma análise mas aprofundada dos fatos e de documentos.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Compilador

(Acesso em 20/06/2010)

Liste com seus alunos que documentos poderiam ser compilados para análise da origem das famílias e do grau de parentesco entre as pessoas.

Depois, peça que os alunos elaborem uma entrevista a ser feita com a pessoa mais velha da família de cada aluno.

Nela, deverá conter perguntas referentes à origem da família, aos nomes dos antepassados, os casamentos que tiveram, se eram consanguíneos ou não, a quantidade de filhos que tinham, a idade com que as pessoas se casavam, os casamentos “duradouros’.

As perguntas e a forma como a entrevista será feita devem ser uma escolha coletiva.

Aula 2
Professor,

Organize a sala de aula com as mesas em círculo. Peça para que os alunos apresentem suas entrevistas.

Direcione a apresentação para que esta não se torne enfadonha. Mostre aos alunos a importância de se coletar dados, para uma posterior análise dos mesmos.

Peça para os alunos fazerem as seguintes anotações, à medida que os colegas forem apresentando as respostas das perguntas:

. número de pessoas entrevistadas, idade, se são mulheres ou homens.

. nome da família.

. quantidade de filhos de gerações anteriores e das novas gerações

. local/país de origem da família

Seria interessante que você, professor, convidasse um(a) colega da área de Geografia para assistir a aula e também anotar os dados para serem utilizados em sua prática de ensino: demografia, crescimento populacional, formação da sociedade, migração.

Outra sugestão é a de compartilhar todos os dados coletados com os professores de História – que poderia trabalhar as questões de Heráldica, Medievalismo, Monarquia, disputa pelo poder real, ascensão ao trono, dinastias-, de Matemática – que poderia elaborar gráficos e promover análises em sala de aula-, de Ciências – que poderia estudar questões que envovem fenótipo, genótipo, consanguinidade, enfim, genética, evolução e perpetuação das espécies.

Aula 3
Professor,

Peça para os alunos trazerem, para a sala de aula, fotocópias de documentos de pessoas da família ou deles mesmos para uma compilação, uma análise. Podem ser registros de nascimentos antigos, registros de documentos de identificação, certidões de casamento antigas e atuais, para efeito de comparação da linguagem utilizada nos suportes.

Há ainda uma nova certidão de nascimento mais atualizada. Peça para os alunos pesquisarem ou trazerem o modelo mais recente. Assim, eles poderão fazer uma comparação entre o novo modelo e os antigos: o que há de semelhante, o que há de novidade e o que tinha e não tem mais.

Veja o novo modelo em:

(Acesso em 19/07/2010)

Depois, leve os alunos à biblioteca da escola ou ao laboratório de informática, para que eles possam pesquisar:

1. A origem da própria família – árvore genealógica e migrações dos antepassados
http://www.myheritage.com.br/genealogia

(Acesso em 19/06/2010)

http://www.descendentes.com/genealogia/index.html

(Acesso em 19/06/2010)

http://www.memorialdoimigrante.org.br/portalmi/

(Acesso em 19/06/2010)

http://www.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm

(Acesso em 19/06/2010)

2. Os brasões de cada ramo de familia pesquisada e encontrada no item anterior

http://www.museumedieval.com.br/brasoes

(Acesso em 20/06/2010)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bras%C3%A3o

(Acesso em 19/06/2010)

3. Os livros de linhagem, também conhecidos como nobiliários, próprios da prosa medieval
Observar o tipo de linguagem utilizada, se faz alguma referência alguma família de algum aluno. Verificar nessa leitura que aspectos são considerados mais importantes nesse tipo de livro.

http://maria-elos.spaces.live.com/blog/cns!7977237312C9674B!11765.entry

(Acesso em 19/06/2010)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_de_linhagem

(Acesso em 19/06/2010)

Aula 4
Professor,

Diante de tantas e variadas informações coletadas, os alunos já estão preparados para a elaboração de um registro de Memórias deles.

Determine o foco narrativo que será utilizado: Primeira pessoa – narrador personagem ou Terceira pessoa – narrador onisciente.

Após a elaboração textual, promova uma troca dos registros para que os alunos conheçam as memórias dos colegas e que também indiquem os trechos que revelem problemas de compreensão de leitura, ambiguidade, coerência interna e externa e questões que envolvem a ortografia e a pontuação. Destroque os textos, de modo que o autor verifique as alterações sugeridas e faça a revisão textual. Participe desse processo de retextualização, professor. Auxilie seus alunos nas dúvidas que surgirem.

Convide os alunos e os outros professores envolvidos a organizarem uma exposição de todos os trabalhos realizados nas áreas de conhecimento. Construa um ambiente temático, como se fosse um túnel do tempo, afinal, os visitantes fariam uma visita ao passado, às suas origens. Na exposição, além das pesquisas, entrevistas e das memórias escritas, disponibilize os sites que os alunos julgaram mais interessantes durante a pesquisa para as pessoas também consultarem a sua própria origem familiar.

Recursos Complementares
Sugestões de referências que auxiliarão e enriquecerão suas aulas sobre o tema em estudo:

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/portugues/literatura_portuguesa/estilos_literarios/1_trovadorismo

(Acesso em 19/06/2010) – Estudo sobre Trovadorismo

http://www.webartigos.com/articles/17094/1/Genero-Entrevista-uma-analise-dos-elementos-nao-verbais-da-conversacao/pagina1.html

(Acesso em 19/06/2010) – Sobre o Gênero Entrevista

Filme: “O nome da rosa” – http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdefilmes/249488

(Acesso em 19/06/2010) – Ambientado em um mosteiro medieval, responsável pelos registros e perpetuação dos documentos e livros antigos, tesouros da Humanidade

Avaliação
Professor,

Avalie a capacidade dos alunos ao criarem seus próprios critérios para elaborar os textos solicitados e fazer as correções necessárias dos próprios textos e os dos colegas. Aproveite e observe a capacidade deles de resolver situações-problema, oportunizadas a partir das discussões e escolhas em grupos.

As produções escritas possibilitarão a você, professor, avaliar a utilização do repertório linguístico para a construção coerente dos textos solicitados a partir das falas dos colegas e das pesquisas feitas da origem da própria família, observando as características de um texto de um livro de linhagem e do gênero textual em estudo – as memórias-, e se eles estão empregando corretamente as regras ortográficas de acordo com seu ano escolar.

Observe se alunos que solicitavam sua ajuda constantemente para produzirem textos apresentaram avanço de autonomia na produção textual ou a um domínio específico: ortografia, pontuação, coerência e coesão textuais.

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